domingo, 15 de junho de 2014
Suicídio
Tudo era como deveria ser. Tudo estava dentro do esperado da normalidade. Tudo era correto e fazia sentido. A vida era feita de etapas e isso não era difícil de entender. Você nasce, cresce, se reproduz, envelhece e morre. Você estuda, trabalha, se casa, tem filhos, fica velho e morre. Eu não sei se todos foram educados como eu. Mas cresci num meio em que os adultos sempre falaram com certeza sobre as coisas. Como se as coisas estivessem decididas e fossem imutáveis. Existe um plano e você apenas precisa segui-lo. Eu já não tenho certeza se isso foi me passado assim ou se apenas foi a maneira que interpretei as "ordens". Eu sempre achei que os adultos sabiam o que estavam fazendo e sabiam o que estavam dizendo. Apesar de eu sempre ter discordado do sistema de estudar tanto e trabalhar tanto, eu obedeci as regras impostas. Recentemente eu não consegui mais obedecer essas regras que foram estipuladas por não sei quem que a maioria segue. Eu procurei outros caminhos, outros modos de vida alternativa. Eles existem, mas nenhum me agradou. Eu olhava para as pessoas e todas me pareciam loucas, sem saber o que estavam fazendo. Eu procurava sentido em tudo. E nada me fazia sentido. Eu buscava coerência nas pessoas, mas via que elas não o eram. As pessoas não são coerentes e racionais. Eu sofri muito com essa descoberta. Não sabia se eu estava louca, ou eram os outros. Mas depois eu percebi que a vida não tem mesmo sentido, não tem mesmo significado. Eu entendi que trabalhamos tanto e estudamos porque precisamos disso. Não porque existe algum sentido, mas porque se não morreríamos de tédio. Uma vida fácil não tem a menor graça. Um dia de descanso não tem a menor graça se todo dia for dia de descanso. Nós complicamos a vida para nos mantermos vivos. A pessoa que diz que busca a felicidade, não sabe o que busca. A felicidade plena, o conforto pleno, a conquista de todos os objetivos é o pior castigo que alguém pode querer. Nós inventamos nossas dores, nossos medos, nossa angústia, para depois sairmos vitoriosos dela. Todas as pessoas que estão vivas, escolheram estar vivas. Mesmo morrendo de fome, mesmo com doenças terríveis e cruéis. Mesmo sendo escravizadas e exploradas. A vida busca pela vida. A pessoa que pensa em suicídio está cega, como eu já estive. É alguém sem esperança, que não consegue ver outros caminhos, outras possibilidades. É alguém que acha que já sentiu tudo o que já poderia ter sentido. Que não sente prazer nas tarefas que realiza. Que não ama ninguém, ou que ama demais. É alguém que se sente inútil, que se sente incompreendido. É alguém que as vezes tem tudo e sente como se não tivesse nada. É alguém que acha que vê o que ninguém vê. Que acha que entende o que ninguém mais entende. Eu já passei por fases suicidas mais de uma vez. Em todas elas eu me permiti me dar uma chance. Considerar como uma fase. Hoje, eu comparo esses momentos aos momentos que as aranhas trocam de exoesqueleto. Momentos em que precisamos crescer, e para isso devemos sair da zona de conforto, deixar nossos moldes de vida para trás e reconstruir uma nova proteção. Mas esse período de "troca de exoesqueleto" é sofrido e doloroso, ficamos frágeis e vulneráveis e tudo pode acontecer. Quem nunca trocou de exoesqueleto, não vai te entender, não via entender a sua necessidade e nem o que você está fazendo. Nem você entende, pois você nunca passou por isso antes. E se você não conseguir sobreviver até o final, você nunca vai entender o que vem depois. E é por isso que eu não desisto da vida, porque eu acho que é muita prepotência minha que sendo tão jovem, eu já saiba de tudo, já tenha vivido tudo e já tenha experimentado tudo. Hoje eu vejo que a vida é muito mais do que ser feliz. Viver é sofrer também e isso não é ruim como dizem por aí. Todos os caminhos que percorremos, nos levam a algum lugar. Todos os sentimentos que temos nos ensinam alguma coisa. Estar vivo é estranho, mas pode ser divertido, principalmente quando você se dá conta que somos todos loucos aqui. Que ninguém é melhor, nem pior que ninguém. E que observar as pessoas que não entendem isso é muito engraçado.
segunda-feira, 2 de junho de 2014
Como eu sei que Deus não existe
Ouvi dizer que ser ateu está na moda. Pode ser que sim. Pode ser que não. Mas na minha humilde opinião, o que eu acho é que qualquer pessoa que dedique algum tempo para refletir sobre a existência ou não de Deus, vai chegar a mesma conclusão que a minha. Eu não sou nenhuma especialista no quesito religião. Não li nenhum livro desses caras famosos que pregam o ateísmo e também não li a bíblia para te mostrar as contradições. Nasci numa família católica, fiz catequese, crisma, essas coisas... ia na missa aos domingos e tudo mais. Quando criança eu fazia muitas perguntas...assim como toda criança. Lembro que eu perguntava a minha mãe "se Deus criou a gente, quem criou Deus?" e perguntas desse nível. Minha mãe apenas respondia..."Ninguém sabe, é um mistério, tem que ter fé". Com o passar dos anos, essas perguntas se aquietaram, me acostumei com as respostas e vivi normalmente como todo mundo. Mas a religião me incomodava muito, por diversos motivos. Sempre fui rebelde, como diz minha mãe. E acho que sempre fui mesmo. Nunca fui muito de aceitar argumentos e ordens que não faziam sentido pra mim. Eu odiava ir a missa, pois não via sentido nenhum em ir lá todo domingo ouvir as mesmas coisas de sempre. Não via sentido nenhum em confessar meus "pecados", sabendo que eu sempre cometia os mesmos de novo e por aí vai. Comecei a questionar essas coisas pequenas da religião e me afastei da igreja, mas ainda acreditava em Deus. Deixei de rezar aquelas orações prontas que não faziam sentido nenhum pra mim e conversava com Deus. Mas com o tempo, comecei a pensar que era muito conveniente mesmo, acreditar que existe um Deus, que me conforta, que olha por mim, que me deu a vida e que estará me esperando no céu de braços abertos caso eu me comporte direitinho, mesmo eu não obedecendo todas as regras impostas pela religião. E eu vejo muito disso. Muita gente que acredita só no que lhe convém. É muito fácil acreditar num Deus assim, que é bom e maravilhoso e vai perdoar todos os seus erros e te oferece um conforto depois da morte das pessoas que você ama e da sua. É muito confortável acreditar em Deus sem seguir uma religião a risca, ficar só com a parte boa, até porque existem tantas religiões, como saber qual e a certa?
E agora eu te pergunto. Se existe um Deus tão querido, bonzinho e poderoso, porque ele permite que pessoas tão más e cruéis como assassinos, pedófilos, ladrões, estupradores e etc vivam fazendo mal a pessoas boas? Porque existe tanta fome, guerra, injustiça e desigualdade no mundo? Minha mãe me disse que é porque o mal também tem poder. Mas me diga, se você tivesse o poder de acabar com o mal, você acabaria ou não? Se você visse um estuprador abusando da sua filha/irmã/mãe....você daria o livre arbítrio pro estuprador e deixaria ele fazer o que quisesse ou tomaria uma atitude? Que tipo de Deus é esse que permite que as pessoas vivam nesse caos que é o mundo? Sendo usadas, exploradas, manipuladas....Que tipo de Deus criaria os humanos só para testá-los? Porque ele não fez o ser-humano bom de uma vez? Além do que, é muito mais fácil para um governo que as pessoas acreditem em um ser superior que irá punílas do que ensinar ética, respeito e leis de boa convivência. É o que os nossos pais fizeram quando éramos criança. É mais fácil dizer que o bicho-papão está lá fora do que fazer a criança entender que não deve sair de casa a noite sozinha. Mas os pais ficam com a consciência pesada de mentir pros filhos e depois contam a verdade que bicho-papão não existe. Mas se ninguém te dissesse, você ia acreditar pra sempre? Bom, meu intuito com esse texto não é convencer ninguém a ser ou não ateu, eu só te peço pra que você seja coerente, construir um raciocínio lógico e decidir no que você realmente acredita de uma forma que faça sentido e não apenas porque é mais fácil.
E agora eu te pergunto. Se existe um Deus tão querido, bonzinho e poderoso, porque ele permite que pessoas tão más e cruéis como assassinos, pedófilos, ladrões, estupradores e etc vivam fazendo mal a pessoas boas? Porque existe tanta fome, guerra, injustiça e desigualdade no mundo? Minha mãe me disse que é porque o mal também tem poder. Mas me diga, se você tivesse o poder de acabar com o mal, você acabaria ou não? Se você visse um estuprador abusando da sua filha/irmã/mãe....você daria o livre arbítrio pro estuprador e deixaria ele fazer o que quisesse ou tomaria uma atitude? Que tipo de Deus é esse que permite que as pessoas vivam nesse caos que é o mundo? Sendo usadas, exploradas, manipuladas....Que tipo de Deus criaria os humanos só para testá-los? Porque ele não fez o ser-humano bom de uma vez? Além do que, é muito mais fácil para um governo que as pessoas acreditem em um ser superior que irá punílas do que ensinar ética, respeito e leis de boa convivência. É o que os nossos pais fizeram quando éramos criança. É mais fácil dizer que o bicho-papão está lá fora do que fazer a criança entender que não deve sair de casa a noite sozinha. Mas os pais ficam com a consciência pesada de mentir pros filhos e depois contam a verdade que bicho-papão não existe. Mas se ninguém te dissesse, você ia acreditar pra sempre? Bom, meu intuito com esse texto não é convencer ninguém a ser ou não ateu, eu só te peço pra que você seja coerente, construir um raciocínio lógico e decidir no que você realmente acredita de uma forma que faça sentido e não apenas porque é mais fácil.
domingo, 1 de junho de 2014
Como não desperdiçar a sua vida?
Independentemente do que você acredita, se existe uma vida após a morte ou não. Considere apenas por um momento que não exista nada além dos anos que você viverá aqui neste mundo. Talvez você ainda tenha uns 50 anos para viver, talvez 5...não dá pra saber. A única certeza que temos é que morreremos. Mas a verdade é que não fazemos ideia do que vem depois. Se é que vem alguma coisa depois.
Mas como viver pensando no fim?
Como planejar uma vida finita, que pode ser interrompida antes do esperado?
Quais razões tornam uma vida digna de ser vivida?
Quais sonhos serão realizados?
Quais metas valem a pena ser cumpridas?
Quantas ideias e projetos ficam sem conclusão, ou nem saem da mente do criador por ele achar que não vale a pena?
No fim das contas, temos muitas perguntas e nenhuma resposta. Mas cada vez mais tenho a sensação que vivemos para os outros e não para nós mesmos. Pensando na quantidade de projetos e ideias de outros de que tiramos proveito, nada mais justo, do que fazer as coisas acontecem para outros. Talvez essa seja a resposta. Talvez a única maneira de não desperdiçar sua vida, seja de alguma forma retribuir tudo o que você recebeu dos outros.
Se você diz que não recebeu nada, talvez você não tenha se dado conta de que aquele filme que você viu precisou surgir como uma ideia na mente de alguém e então todo um esforço e trabalho tiveram que ter sido feito para que ele acontecesse e chegasse a você. O mesmo vale para livros, desenhos, o seu celular, a sua internet, a casa que você mora, o cortador que você usa para cortar as unhas...enfim...absolutamente todas as comodidades que você tem. Você as tem porque alguém achou que valia a pena acreditar numa ideia. Então acredite nas suas e corra atrás pra que elas aconteçam. Retribua esse favor para a humanidade, pois você está em dívida com ela. Assim como eu e como todo mundo.
Mas como viver pensando no fim?
Como planejar uma vida finita, que pode ser interrompida antes do esperado?
Quais razões tornam uma vida digna de ser vivida?
Quais sonhos serão realizados?
Quais metas valem a pena ser cumpridas?
Quantas ideias e projetos ficam sem conclusão, ou nem saem da mente do criador por ele achar que não vale a pena?
No fim das contas, temos muitas perguntas e nenhuma resposta. Mas cada vez mais tenho a sensação que vivemos para os outros e não para nós mesmos. Pensando na quantidade de projetos e ideias de outros de que tiramos proveito, nada mais justo, do que fazer as coisas acontecem para outros. Talvez essa seja a resposta. Talvez a única maneira de não desperdiçar sua vida, seja de alguma forma retribuir tudo o que você recebeu dos outros.
Se você diz que não recebeu nada, talvez você não tenha se dado conta de que aquele filme que você viu precisou surgir como uma ideia na mente de alguém e então todo um esforço e trabalho tiveram que ter sido feito para que ele acontecesse e chegasse a você. O mesmo vale para livros, desenhos, o seu celular, a sua internet, a casa que você mora, o cortador que você usa para cortar as unhas...enfim...absolutamente todas as comodidades que você tem. Você as tem porque alguém achou que valia a pena acreditar numa ideia. Então acredite nas suas e corra atrás pra que elas aconteçam. Retribua esse favor para a humanidade, pois você está em dívida com ela. Assim como eu e como todo mundo.
sexta-feira, 30 de maio de 2014
Depressão X Vida normal
Não arrumou a cama pois iria desarrumá-la a noite
Não confiou, pois sabia que se decepcionaria
Não amou, pois sabia que acabaria
Não escreveu, pois sabia que ninguém leria
Não viu o filme, pois sabia o final
Não comeu, pois sabia que sentiria fome novamente
Não acordou, pois sabia que tornaria a dormir
Não viveu, pois sabia que morreria
Sabendo que desarrumaria a cama a noite, a arrumou só pra ter o prazer de desalinhar os lençóis
Sabendo que se decepcionaria, confiou. Pois preferia um coração quebrado a não ter nenhum.
Sabendo que o amor acabaria, amou com toda a intensidade, esgotando o sentimento até a última gota
Sabendo que ninguém leria, escreveu para si mesma, pois quando lia seus próprios sentimentos, os compreendia com clareza.
Sabendo o final do filme, assistiu, pois importa mais o desenrolar da história do que o seu fim.
Sabendo que sentiria fome novamente, comeu e preparou comidas gostosas para mais tarde.
Sabendo que tornaria a dormir, acordou e esgotou todas as suas energias, para que na manhã seguinte estivesse disposta novamente.
Sabendo que morreria, viveu cada segundo como se fosse o último.
Não confiou, pois sabia que se decepcionaria
Não amou, pois sabia que acabaria
Não escreveu, pois sabia que ninguém leria
Não viu o filme, pois sabia o final
Não comeu, pois sabia que sentiria fome novamente
Não acordou, pois sabia que tornaria a dormir
Não viveu, pois sabia que morreria
Sabendo que desarrumaria a cama a noite, a arrumou só pra ter o prazer de desalinhar os lençóis
Sabendo que se decepcionaria, confiou. Pois preferia um coração quebrado a não ter nenhum.
Sabendo que o amor acabaria, amou com toda a intensidade, esgotando o sentimento até a última gota
Sabendo que ninguém leria, escreveu para si mesma, pois quando lia seus próprios sentimentos, os compreendia com clareza.
Sabendo o final do filme, assistiu, pois importa mais o desenrolar da história do que o seu fim.
Sabendo que sentiria fome novamente, comeu e preparou comidas gostosas para mais tarde.
Sabendo que tornaria a dormir, acordou e esgotou todas as suas energias, para que na manhã seguinte estivesse disposta novamente.
Sabendo que morreria, viveu cada segundo como se fosse o último.
quarta-feira, 28 de maio de 2014
Pessoas e formigas
Sempre que saio na rua, fico observando as pessoas. É muito engraçado. É quase igual a observar uma fila de formigas. Sabe quando você fica só olhando as formigas seguirem focadas no seu caminho, em suas atividades e nem se dão conta que você está as observando? Então, com as pessoas é igual. Fico olhando e vejo que cada indivíduo vive num mundo particular, com seus medos, sonhos, ilusões e objetivos. Olho pra cada um e fico tentando imaginar a sua história de vida, suas crenças, suas aventuras e seus segredos. Cada ser humano é tão diferente e tão igual ao mesmo tempo que isso me confunde. Mas o que mais me assusta mesmo é essa semelhança com as formigas, de seguir uma trilha junto com os demais e cumprir suas tarefas com convicção sem realmente se perguntarem o porquê de estarem fazendo aquilo.
terça-feira, 27 de maio de 2014
Algumas palavras são proibidas
Sobre alguns assuntos ninguém fala
Você sempre deve sorrir
É permitido a sua dor apenas em casos específicos
Mas não por muito tempo
Você é obrigado a ser feliz
Ninguém quer saber das suas dores
Tristeza contagia
Ninguém quer ouvir
Fique quieta
Sofra muda
Esqueça
Pense em outras coisas
Você tem obrigação de ser feliz
É proibido falar sobre a morte
Sobre o que ninguém entende
Não pense nas injustiças
Nas decepções
Nas amarguras da vida
Apenas sorria
Apenas finja que está tudo bem
É isso que esperam de você
É isso que você deve fazer
Se não quiser ficar sozinha
Se quiser que todos gostem de você
Pelo que você não é
Sobre alguns assuntos ninguém fala
Você sempre deve sorrir
É permitido a sua dor apenas em casos específicos
Mas não por muito tempo
Você é obrigado a ser feliz
Ninguém quer saber das suas dores
Tristeza contagia
Ninguém quer ouvir
Fique quieta
Sofra muda
Esqueça
Pense em outras coisas
Você tem obrigação de ser feliz
É proibido falar sobre a morte
Sobre o que ninguém entende
Não pense nas injustiças
Nas decepções
Nas amarguras da vida
Apenas sorria
Apenas finja que está tudo bem
É isso que esperam de você
É isso que você deve fazer
Se não quiser ficar sozinha
Se quiser que todos gostem de você
Pelo que você não é
segunda-feira, 26 de maio de 2014
Pra sempre 18 (?)
Eu deveria ter feito um pacto com as pessoas ao
meu redor, pra que elas não envelhecessem também. Todos os meus amigos estão
trabalhando ou procurando emprego. Alguns casaram, outros estão noivos e já tem
até os que se separaram. Já perdi a conta de quantos dos meus colegas de ensino
médio já tem filhos. Olho pros meus pais e vejo como eles estão velhinhos e
cansados. Não consegui acompanhar o processo que deixou aquele cabelo e bigode bem
preto do meu pai tão grisalhos.
Todo mundo cresceu e eu fiquei pra trás. Eu continuo com 18 anos, perdida, sem rumo, indefinida. Eu não tenho filhos, não tenho nem um namorado, quem dirá um marido ou noivo. Não tenho emprego e nem nada. Eu não tenho nada disso. Mas a verdade é que eu não quero porque não estou pronta...e suspeito que nunca mais estarei. Porque sim, eu tinha encontrado o “amor da minha vida”, eu tinha um bom motivo para querer trabalhar, comprar uma casa e tudo mais. Nós iríamos ter uma filha chamada Laura. Seus cabelos seriam castanhos, lisos e compridos e a pele bem branquinha. Mas a Laura não vai nascer, porque o pai dela olhou nos meus lhos e disse: “Eu não sonho mais em casar e ter uma família com você”. Alguém tem ideia de quanto isso dói? De quanto isso machuca? Já se passou quase um ano e meio de que ouvi essa frase e ela ainda ecoa na minha cabeça. Eu só queria saber o porquê. Eu só queria que ele me dissesse o que eu fiz de errado. Qual era o meu problema. Mas ele nunca soube me dizer. Nunca vai dizer. Mas isso não importa mais, porque essa frase estourou minha bolha de sonho e ilusão. Não acredito mais em amor, não sonho mais com uma família. Não quero colocar mais uma criança no mundo. Moro com meus pais sem saber que rumo tomar e porquê. Se eu pudesse, eu mudaria minha idade para 18 anos na minha carteira de identidade. Porque essa é a minha idade real. E então, talvez, eu não me sentiria culpada por ser irresponsável e imatura....talvez...
Todo mundo cresceu e eu fiquei pra trás. Eu continuo com 18 anos, perdida, sem rumo, indefinida. Eu não tenho filhos, não tenho nem um namorado, quem dirá um marido ou noivo. Não tenho emprego e nem nada. Eu não tenho nada disso. Mas a verdade é que eu não quero porque não estou pronta...e suspeito que nunca mais estarei. Porque sim, eu tinha encontrado o “amor da minha vida”, eu tinha um bom motivo para querer trabalhar, comprar uma casa e tudo mais. Nós iríamos ter uma filha chamada Laura. Seus cabelos seriam castanhos, lisos e compridos e a pele bem branquinha. Mas a Laura não vai nascer, porque o pai dela olhou nos meus lhos e disse: “Eu não sonho mais em casar e ter uma família com você”. Alguém tem ideia de quanto isso dói? De quanto isso machuca? Já se passou quase um ano e meio de que ouvi essa frase e ela ainda ecoa na minha cabeça. Eu só queria saber o porquê. Eu só queria que ele me dissesse o que eu fiz de errado. Qual era o meu problema. Mas ele nunca soube me dizer. Nunca vai dizer. Mas isso não importa mais, porque essa frase estourou minha bolha de sonho e ilusão. Não acredito mais em amor, não sonho mais com uma família. Não quero colocar mais uma criança no mundo. Moro com meus pais sem saber que rumo tomar e porquê. Se eu pudesse, eu mudaria minha idade para 18 anos na minha carteira de identidade. Porque essa é a minha idade real. E então, talvez, eu não me sentiria culpada por ser irresponsável e imatura....talvez...
domingo, 25 de maio de 2014
...
Você tem medo da escuridão
Por isso fecha os olhos e sonha
Descansa a cabeça na fronha
E substitui o medo por ilusão
Quando acorda e vê a luz do dia
Iluminando toda aquela multidão
Você sente medo e esvazia
Toda a culpa do seu coração
Você fecha os olhos da mente
Não vê a fome, a injustiça e a podridão
Você corre desesperadamente
Para o seu mundo de ilusão
Neste seu mundo nada é culpa sua
Você esconde lá no fundo
A verdade nua e crua
Você está conformado
Que a justiça não existe
Que o mundo está condenado
E de lutar você desiste
Você paga seus impostos
Contribui para a sociedade
Se inocentes foram mortos
Não é sua responsabilidade
Você só se esqueceu
Que sendo conivente
Você vira réu
E paga igualmente
Se existe corrupção
E você não faz nada
Apoia o ladrão
Ficando aí parada
Por isso fecha os olhos e sonha
Descansa a cabeça na fronha
E substitui o medo por ilusão
Quando acorda e vê a luz do dia
Iluminando toda aquela multidão
Você sente medo e esvazia
Toda a culpa do seu coração
Você fecha os olhos da mente
Não vê a fome, a injustiça e a podridão
Você corre desesperadamente
Para o seu mundo de ilusão
Neste seu mundo nada é culpa sua
Você esconde lá no fundo
A verdade nua e crua
Você está conformado
Que a justiça não existe
Que o mundo está condenado
E de lutar você desiste
Você paga seus impostos
Contribui para a sociedade
Se inocentes foram mortos
Não é sua responsabilidade
Você só se esqueceu
Que sendo conivente
Você vira réu
E paga igualmente
Se existe corrupção
E você não faz nada
Apoia o ladrão
Ficando aí parada
sexta-feira, 23 de maio de 2014
As vantagens de ser invisível
Sabe quando você vê um filme e se apaixona? Foi o que aconteceu comigo e com o filme "As vantagens de ser invisível" (The perks of being a wallflower). Eu não sei dizer o que eu amei mais, se foi a história, os personagens, os atores, a trilha sonora...não sei dizer. Porque pra mim foi perfeito como um todo. Tão perfeito que eu queria continuar na história, vivendo com o Charlie, a Sam e o Patrick. Esse filme me tocou como nenhum outro e eu não sei dizer ao certo o porquê. Só sei que no dia seguinte baixei o livro e o li em dois dias. Baixei a trilha sonora e não parei de ouvir até enjoar. Perdi as contas de quantas vezes ouvi "Asleep" dos Smiths...e "Heroes" do David Bowie. Mesmo depois de quase um ano que vi esse filme, lembrar dele me faz sentir infinita...
Não se esqueça
Nunca, jamais, em tempo algum se esqueça que você é só uma pessoa entre 7 bilhões de pessoas,
num planeta minúsculo que está numa galáxia enorme que é só uma galáxia entre 175
bilhões de galáxias. Também não se esqueça que você vai ficar velho e morrer e que o tempo de vida de um humano e da humanidade é desprezível
comparada aos 15 bilhões de anos do universo.
Em cima do muro
Existe um momento na vida, em que você sobe no muro e
observa aqueles dois lados.
Esse é o pior momento da sua vida.
Eu tenho certeza que muitos morrem sem nem se dar conta que
existe o tal muro e que existe uma realidade diferente da que ele vive.
Na verdade não existe apenas um muro.
São muros em torno de muros.
Cada vez que você vê um modo diferente de ver as coisas, uma
segunda opinião. É dar uma olhada pro outro lado. Muitas pessoas discutem e não
se dão conta de que estão falando com uma pessoa do outro lado do muro. Para
elas aquela é a verdade absoluta por que ela não pode ver o que o outro está
vendo. É a mesma história da caverna do Platão.
Mas às vezes, alguém do outro lado te faz ver que existe
esse muro e você se dá ao trabalho de subir lá. Então você olha os dois lados.
Ver os dois lados é muito difícil. O mais difícil porém é
escolher qual dos lados você quer ficar. Você não pode ficar ali em cima do
muro pra sempre. Muitas vezes é o lado certo contra o lado fácil. Então você
decide ficar do lado fácil. Mas como você viu o que existe do outro lado, você
não consegue mais ficar em paz. Você consegue ouvir as vozes do outro lado te
pedindo ajuda. Você consegue vê-las na sua mente e enquanto você dorme. Você
pode escolher ficar do lado fácil. Mas nunca mais ficará em paz.
Sobre emprego e prostituição
Todo mundo que faz o que não gosta por dinheiro é uma puta paga.
Todo mundo, ou quase todo mundo gosta de sexo. Mas quase
ninguém quer fazer sexo com todo mundo. E quase ninguém topa qualquer coisa no
sexo.
Trabalhar é a mesma coisa.
Todo mundo gosta de trabalhar.
Mas cada um gosta de um trabalho diferente. Você não quer
trabalhar em qualquer coisa. E nem pra qualquer um.
Se você escolhe trabalhar com o que você gosta e pra quem
você gosta, você não é uma puta. Mesmo que você trabalhe com prostituição. Ao
meu ver, pelo menos.
Agora se você faz o que você não gosta pra quem você não
gosta por dinheiro. Você é uma puta. Uma puta paga.
Mas eu também entendo, que na sociedade em que vivemos, as
vezes a nossa única opção é se prostituir. Infelizmente. Então não te culpo se
esta é sua única opção. Mas se tiver outro jeito, por favor...NÃO SE VENDA.
Pessoas e ilusões
Imagine que pessoas são alfinetes e que suas ilusões são balões...
Logo, você consegue imaginar um monte de alfinetes, cada alfinete dentro de um balão.
Existem balões de todos os tamanhos. Quanto maior for a ilusão, maior e mais frágil será o balão.
Quando você é um alfinete e vive dentro de um balão, você não consegue se aproximar de outras pessoas que têm seus próprios balões. Mas você não percebe isso. Até o dia que por alguma razão seu balão estoura e você fica ali, imóvel, observando os outros balões ao seu redor. Você fala com eles, mas ninguém te ouve, ninguém te entende. Você acaba ficando com medo de se mover para não ser o culpado por estourar balões alheios. Você acaba optando por encher outro balão...ou se afastar e encontrar outros alfinetes como você, alfinetes que enfim, você pode se aproximar e que conseguem ver o mundo como você vê.
Logo, você consegue imaginar um monte de alfinetes, cada alfinete dentro de um balão.
Existem balões de todos os tamanhos. Quanto maior for a ilusão, maior e mais frágil será o balão.
Quando você é um alfinete e vive dentro de um balão, você não consegue se aproximar de outras pessoas que têm seus próprios balões. Mas você não percebe isso. Até o dia que por alguma razão seu balão estoura e você fica ali, imóvel, observando os outros balões ao seu redor. Você fala com eles, mas ninguém te ouve, ninguém te entende. Você acaba ficando com medo de se mover para não ser o culpado por estourar balões alheios. Você acaba optando por encher outro balão...ou se afastar e encontrar outros alfinetes como você, alfinetes que enfim, você pode se aproximar e que conseguem ver o mundo como você vê.
Sobre se apaixonar
“Quais são as cores e as coisas pra te prender?”
(Herbert Viana, por quase um segundo)
Essa é a história de uma garota que vivia se apaixonando, até o dia em que achou que
tinha encontrado seu amor verdadeiro... mas se decepcionou. Depois dessa desilusão ela
desaprendeu a amar e nada mais prendia a sua atenção. Ela observava as pessoas e suas
qualidades, queria se sentir apaixonada por elas mas não conseguia.
Ela conheceu um homem bonito, mas não se apaixonou.
Ela conheceu um homem rico, mas não se apaixonou.
Ela conheceu um homem engraçado, mas não se apaixonou.
Ela conheceu um homem inteligente, mas não se apaixonou.
Ela conheceu um homem atraente, mas não se apaixonou.
Ela conheceu um homem bom, mas não se apaixonou.
Ela conheceu um homem romântico, mas não se apaixonou.
Ela conheceu um homem famoso, mas não se apaixonou.
Ela conheceu um homem poderoso, mas não se apaixonou.
Ela estava confusa. Começou a pensar que talvez ela não conseguiria mesmo mais se
apaixonar por nenhum homem. Então ela começou a observar as mulheres... mas também não se
apaixonou por ninguém.
Começaram a dizer que ela era muito exigente e que o que ela queria era alguém que
fosse bonito, rico, engraçado, inteligente, atraente, bom, romântico, famoso, poderoso...
Disseram a ela que ela estava esperando o príncipe encantado... que ela nunca iria encontrar
alguém assim, que ninguém é perfeito, muito menos ela e que por isso, mesmo que existisse
uma pessoa tão perfeita assim ele não iria querer nada com ela.
Então ela achou que deveria ser isso, que ela não conseguia se apaixonar por ninguém
porque estava procurando a pessoa perfeita. Ela não queria ser assim, ela queria se apaixonar!
Ela tentou, mas não conseguiu. Então sua vida perdeu a graça, perdeu a cor.
Ela estava muito triste, muito cansada, muito sozinha. Ela pensou em desistir da vida,
porque ela não via nenhum sentido para continuar vivendo nesse mundo. Ela achava que tudo
estava errado, mas ela não sabia o que fazer para mudar. Ela falava sobre isso com seus amigos
e sua família, mas ninguém compreendia. Diziam pra ela que ela estava revoltada, que ela
deveria parar de pensar. Diziam pra ela que a vida é assim mesmo e que ela deveria se
conformar. Disseram até que ela estava louca e ela achou mesmo que estava.
Ela não sabia mais o que fazer! Estava atormentada e decidiu que não valia mais a pena
tentar mostrar para as pessoas como tudo estava errado e que não tinha nada mesmo que ela
pudesse fazer para mudar a realidade. Então ela se calou. Mas seus pensamentos não se calaram.
Ela tentou esquecer tudo o que ela tinha visto e viver uma vida normal, como todo mundo. Mas
ela não conseguiu. Ela estava sofrendo, sozinha e calada. Ela não sabia mais por quanto tempo
ela aguentaria viver assim.
Num dia qualquer, em meio a tanta angústia ela ouviu um garoto discutindo com um
homem e isso chamou a sua atenção. O garoto dizia para o homem exatamente o que ela
pensava sobre o mundo e o homem respondia exatamente o que os outros respondiam para ela.
O homem foi embora e ela resolveu pedir ajuda ao garoto.
Ela perguntou a ele como ele conseguia viver naquele mundo vendo que estava tudo
errado e se ele sabia alguma forma de mudar aquilo. Ele disse pra ela que também não sabia
muito o que fazer.
Ela ficou decepcionada porque esperava uma solução para o seu problema. Sem saber o
que fazer, permaneceu ali... e o garoto também. Eles conversaram sobre muitas coisas, algumas
bobas, algumas sérias. Em meio ao caos, ele a fez rir e a fez sentir viva, como ela achou que
nunca mais se sentiria.
Foi então que ela entendeu que ela não estava procurando a pessoa perfeita, ela
entendeu que ela estava procurando alguém que tivesse a capacidade de ver o mundo como ela
via. Que tivesse a capacidade de entendê-la , mas que a lembrasse de que em meio a tantos
motivos para se desesperar, viver ainda pode ser bom e vale a pena. Ela entendeu que buscava
alguém que sentisse a sua dor e que tivesse as mesmas perguntas que as suas. Um não tinha a
resposta para outro, mas eles se sentiam felizes por estarem procurando as respostas juntos e não
mais sozinhos.
E foi assim que ela descobriu “quais são as cores e as coisas que a prendiam”.
Introdução
Olá! Seja bem vindo a ver o mundo, o universo, a vida e tudo mais pelos olhos de Eliz...
Quem sabe você não passa a ver as coisas de uma forma diferente? Ou quem sabe não descobrimos que eu e você enxergamos tudo exatamente da mesma forma...na mesma proporção...com as mesmas cores...e então não nos sentiremos mais sozinhos.
Neste espaço, serei absolutamente eu mesma, falarei sobre meus sentimentos e pensamentos. Minhas preferências, opiniões e gostos. Quero falar sobre minhas músicas, meus filmes, meus livros, minhas indecisões, inseguranças...
Aqui eu serei livre, porque aqui eu não sou ninguém e sou todo mundo. Aqui eu não preciso fingir, não preciso medir palavras, não preciso me delimitar.
Espero que você me diga quando gostar de algo que eu disse e quando não gostar também : )
Quem sabe você não passa a ver as coisas de uma forma diferente? Ou quem sabe não descobrimos que eu e você enxergamos tudo exatamente da mesma forma...na mesma proporção...com as mesmas cores...e então não nos sentiremos mais sozinhos.
"Eu sei que você sabe quase sem querer, que eu vejo o mesmo que você"
(Legião Urbana)
(Legião Urbana)
Neste espaço, serei absolutamente eu mesma, falarei sobre meus sentimentos e pensamentos. Minhas preferências, opiniões e gostos. Quero falar sobre minhas músicas, meus filmes, meus livros, minhas indecisões, inseguranças...
Aqui eu serei livre, porque aqui eu não sou ninguém e sou todo mundo. Aqui eu não preciso fingir, não preciso medir palavras, não preciso me delimitar.
Espero que você me diga quando gostar de algo que eu disse e quando não gostar também : )
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