sexta-feira, 30 de maio de 2014

Depressão X Vida normal

Não arrumou a cama pois iria desarrumá-la a noite
Não confiou, pois sabia que se decepcionaria
Não amou, pois sabia que acabaria
Não escreveu, pois sabia que ninguém leria
Não viu o filme, pois sabia o final
Não comeu, pois sabia que sentiria fome novamente
Não acordou, pois sabia que tornaria a dormir
Não viveu, pois sabia que morreria



Sabendo que desarrumaria a cama a noite, a arrumou só pra ter o prazer de desalinhar os lençóis
Sabendo que se decepcionaria, confiou. Pois preferia um coração quebrado a não ter nenhum.
Sabendo que o amor acabaria, amou com toda a intensidade, esgotando o sentimento até a última gota
Sabendo que ninguém leria, escreveu para si mesma, pois quando lia seus próprios sentimentos, os compreendia com clareza.
Sabendo o final do filme, assistiu, pois importa mais o desenrolar da história do que o seu fim.
Sabendo que sentiria fome novamente, comeu e preparou comidas gostosas para mais tarde.
Sabendo que tornaria a dormir, acordou e esgotou todas as suas energias, para que na manhã seguinte estivesse disposta novamente.
Sabendo que morreria, viveu cada segundo como se fosse o último.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Pessoas e formigas

Sempre que saio na rua, fico observando as pessoas. É muito engraçado. É quase igual a observar uma fila de formigas. Sabe quando você fica só olhando as formigas seguirem focadas no seu caminho, em suas atividades e nem se dão conta que você está as observando? Então, com as pessoas é igual. Fico olhando e vejo que cada indivíduo vive num mundo particular, com seus medos, sonhos, ilusões e objetivos. Olho pra cada um e fico tentando imaginar a sua história de vida, suas crenças, suas aventuras e seus segredos. Cada ser humano é tão diferente e tão igual ao mesmo tempo que isso me confunde. Mas o que mais me assusta mesmo é essa semelhança com as formigas, de seguir uma trilha junto com os demais e cumprir suas tarefas com convicção sem realmente se perguntarem o porquê de estarem fazendo aquilo.

terça-feira, 27 de maio de 2014

Algumas palavras são proibidas
Sobre alguns assuntos ninguém fala
Você sempre deve sorrir
É permitido a sua dor apenas em casos específicos
Mas não por muito tempo
Você é obrigado a ser feliz
Ninguém quer saber das suas dores
Tristeza contagia
Ninguém quer ouvir
Fique quieta
Sofra muda
Esqueça
Pense em outras coisas
Você tem obrigação de ser feliz
É proibido falar sobre a morte
Sobre o que ninguém entende
Não pense nas injustiças
Nas decepções
Nas amarguras da vida
Apenas sorria
Apenas finja que está tudo bem
É isso que esperam de você
É isso que você deve fazer
Se não quiser ficar sozinha
Se quiser que todos gostem de você
Pelo que você não é

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Pra sempre 18 (?)

Eu deveria ter feito um pacto com as pessoas ao meu redor, pra que elas não envelhecessem também. Todos os meus amigos estão trabalhando ou procurando emprego. Alguns casaram, outros estão noivos e já tem até os que se separaram. Já perdi a conta de quantos dos meus colegas de ensino médio já tem filhos. Olho pros meus pais e vejo como eles estão velhinhos e cansados. Não consegui acompanhar o processo que deixou aquele cabelo e bigode bem preto do meu pai tão grisalhos.
Todo mundo cresceu e eu fiquei pra trás. Eu continuo com 18 anos, perdida, sem rumo, indefinida. Eu não tenho filhos, não tenho nem um namorado, quem dirá um marido ou noivo. Não tenho emprego e nem nada. Eu não tenho nada disso. Mas a verdade é que eu não quero porque não estou pronta...e suspeito que nunca mais estarei. Porque sim, eu tinha encontrado o “amor da minha vida”, eu tinha um bom motivo para querer trabalhar, comprar uma casa e tudo mais. Nós iríamos ter uma filha chamada Laura. Seus cabelos seriam castanhos, lisos e compridos e a pele bem branquinha. Mas a Laura não vai nascer, porque o pai dela olhou nos meus lhos e disse: “Eu não sonho mais em casar e ter uma família com você”. Alguém tem ideia de quanto isso dói? De quanto isso machuca? Já se passou quase um ano e meio de que ouvi essa frase e ela ainda ecoa na minha cabeça. Eu só queria saber o porquê. Eu só queria que ele me dissesse o que eu fiz de errado. Qual era o meu problema. Mas ele nunca soube me dizer. Nunca vai dizer. Mas isso não importa mais, porque essa frase estourou minha bolha de sonho e ilusão. Não acredito mais em amor, não sonho mais com uma família. Não quero colocar mais uma criança no mundo. Moro com meus pais sem saber que rumo tomar e porquê. Se eu pudesse, eu mudaria minha idade para 18 anos na minha carteira de identidade. Porque essa é a minha idade real. E então, talvez, eu não me sentiria culpada por ser irresponsável e imatura....talvez... 

domingo, 25 de maio de 2014

...

Você tem medo da escuridão
Por isso fecha os olhos e sonha
Descansa a cabeça na fronha
E substitui o medo por ilusão
Quando acorda e vê a luz do dia
Iluminando toda aquela multidão
Você sente medo e esvazia
Toda a culpa do seu coração
Você fecha os olhos da mente
Não vê a fome, a injustiça e a podridão
Você corre desesperadamente
Para o seu mundo de ilusão
Neste seu mundo nada é culpa sua
Você esconde lá no fundo
A verdade nua e crua
Você está conformado
Que a justiça não existe
Que o mundo está condenado
E de lutar você desiste
Você paga seus impostos
Contribui para a sociedade
Se inocentes foram mortos
Não é sua responsabilidade
Você só se esqueceu
Que sendo conivente
Você vira réu
E paga igualmente
Se existe corrupção
E você não faz nada
Apoia o ladrão
Ficando aí parada

sexta-feira, 23 de maio de 2014

As vantagens de ser invisível

Sabe quando você vê um filme e se apaixona? Foi o que aconteceu comigo e com o filme "As vantagens de ser invisível" (The perks of being a wallflower). Eu não sei dizer o que eu amei mais, se foi a história, os personagens, os atores, a trilha sonora...não sei dizer. Porque pra mim foi perfeito como um todo. Tão perfeito que eu queria continuar na história, vivendo com o Charlie, a Sam e o Patrick. Esse filme me tocou como nenhum outro e eu não sei dizer ao certo o porquê. Só sei que no dia seguinte baixei o livro e o li em dois dias. Baixei a trilha sonora e não parei de ouvir até enjoar. Perdi as contas de quantas vezes ouvi "Asleep" dos Smiths...e "Heroes" do David Bowie. Mesmo depois de quase um ano que vi esse filme, lembrar dele me faz sentir infinita...  

Não se esqueça

Nunca, jamais, em tempo algum se esqueça que você é só uma pessoa entre 7 bilhões de pessoas,
num planeta minúsculo que está numa galáxia enorme que é só uma galáxia entre 175 bilhões de galáxias. Também não se esqueça que você vai ficar velho e morrer e que o tempo de vida de um humano e da humanidade é desprezível comparada aos 15 bilhões de anos do universo. 

Em cima do muro

Existe um momento na vida, em que você sobe no muro e observa aqueles dois lados.
Esse é o pior momento da sua vida.
Eu tenho certeza que muitos morrem sem nem se dar conta que existe o tal muro e que existe uma realidade diferente da que ele vive.
Na verdade não existe apenas um muro.
São muros em torno de muros.
Cada vez que você vê um modo diferente de ver as coisas, uma segunda opinião. É dar uma olhada pro outro lado. Muitas pessoas discutem e não se dão conta de que estão falando com uma pessoa do outro lado do muro. Para elas aquela é a verdade absoluta por que ela não pode ver o que o outro está vendo. É a mesma história da caverna do Platão.
Mas às vezes, alguém do outro lado te faz ver que existe esse muro e você se dá ao trabalho de subir lá. Então você olha os dois lados.

Ver os dois lados é muito difícil. O mais difícil porém é escolher qual dos lados você quer ficar. Você não pode ficar ali em cima do muro pra sempre. Muitas vezes é o lado certo contra o lado fácil. Então você decide ficar do lado fácil. Mas como você viu o que existe do outro lado, você não consegue mais ficar em paz. Você consegue ouvir as vozes do outro lado te pedindo ajuda. Você consegue vê-las na sua mente e enquanto você dorme. Você pode escolher ficar do lado fácil. Mas nunca mais ficará em paz.

Sobre emprego e prostituição

Todo mundo que faz o que não gosta por dinheiro é uma puta paga.
Todo mundo, ou quase todo mundo gosta de sexo. Mas quase ninguém quer fazer sexo com todo mundo. E quase ninguém topa qualquer coisa no sexo.
Trabalhar é a mesma coisa.
Todo mundo gosta de trabalhar.
Mas cada um gosta de um trabalho diferente. Você não quer trabalhar em qualquer coisa. E nem pra qualquer um.
Se você escolhe trabalhar com o que você gosta e pra quem você gosta, você não é uma puta. Mesmo que você trabalhe com prostituição. Ao meu ver, pelo menos.
Agora se você faz o que você não gosta pra quem você não gosta por dinheiro. Você é uma puta. Uma puta paga.
Mas eu também entendo, que na sociedade em que vivemos, as vezes a nossa única opção é se prostituir. Infelizmente. Então não te culpo se esta é sua única opção. Mas se tiver outro jeito, por favor...NÃO SE VENDA.

Pessoas e ilusões

Imagine que pessoas são alfinetes e que suas ilusões são balões...
Logo, você consegue imaginar um monte de alfinetes, cada alfinete dentro de um balão.
Existem balões de todos os tamanhos. Quanto maior for a ilusão, maior e mais frágil será o balão.
Quando você é um alfinete e vive dentro de um balão, você não consegue se aproximar de outras pessoas que têm seus próprios balões. Mas você não percebe isso. Até o dia que por alguma razão seu balão estoura e você fica ali, imóvel, observando os outros balões ao seu redor. Você fala com eles, mas ninguém te ouve, ninguém te entende. Você acaba ficando com medo de se mover para não ser o culpado por estourar balões alheios. Você acaba optando por encher outro balão...ou se afastar e encontrar outros alfinetes como você, alfinetes que enfim, você pode se aproximar e que conseguem ver o mundo como você vê.

O pior é que isso realmente aconteceu








Sobre se apaixonar

“Quais são as cores e as coisas pra te prender?”
(Herbert Viana, por quase um segundo)
Essa é a história de uma garota que vivia se apaixonando, até o dia em que achou que
tinha encontrado seu amor verdadeiro... mas se decepcionou. Depois dessa desilusão ela
desaprendeu a amar e nada mais prendia a sua atenção. Ela observava as pessoas e suas
qualidades, queria se sentir apaixonada por elas mas não conseguia.
Ela conheceu um homem bonito, mas não se apaixonou. 
Ela conheceu um homem rico, mas não se apaixonou.
Ela conheceu um homem engraçado, mas não se apaixonou.
Ela conheceu um homem inteligente, mas não se apaixonou.
Ela conheceu um homem atraente, mas não se apaixonou.
Ela conheceu um homem bom, mas não se apaixonou.
Ela conheceu um homem romântico, mas não se apaixonou.
Ela conheceu um homem famoso, mas não se apaixonou.
Ela conheceu um homem poderoso, mas não se apaixonou.
Ela estava confusa. Começou a pensar que talvez ela não conseguiria mesmo mais se
apaixonar por nenhum homem. Então ela começou a observar as mulheres... mas também não se
apaixonou por ninguém.
Começaram a dizer que ela era muito exigente e que o que ela queria era alguém que
fosse bonito, rico, engraçado, inteligente, atraente, bom, romântico, famoso, poderoso...
Disseram a ela que ela estava esperando o príncipe encantado... que ela nunca iria encontrar
alguém assim, que ninguém é perfeito, muito menos ela e que por isso, mesmo que existisse
uma pessoa tão perfeita assim ele não iria querer nada com ela.
Então ela achou que deveria ser isso, que ela não conseguia se apaixonar por ninguém
porque estava procurando a pessoa perfeita. Ela não queria ser assim, ela queria se apaixonar!
Ela tentou, mas não conseguiu. Então sua vida perdeu a graça, perdeu a cor.
Ela estava muito triste, muito cansada, muito sozinha. Ela pensou em desistir da vida,
porque ela não via nenhum sentido para continuar vivendo nesse mundo. Ela achava que tudo
estava errado, mas ela não sabia o que fazer para mudar. Ela falava sobre isso com seus amigos
e sua família, mas ninguém compreendia. Diziam pra ela que ela estava revoltada, que ela
deveria parar de pensar. Diziam pra ela que a vida é assim mesmo e que ela deveria se
conformar. Disseram até que ela estava louca e ela achou mesmo que estava.
Ela não sabia mais o que fazer! Estava atormentada e decidiu que não valia mais a pena
tentar mostrar para as pessoas como tudo estava errado e que não tinha nada mesmo que ela
pudesse fazer para mudar a realidade. Então ela se calou. Mas seus pensamentos não se calaram.
Ela tentou esquecer tudo o que ela tinha visto e viver uma vida normal, como todo mundo. Mas
ela não conseguiu. Ela estava sofrendo, sozinha e calada. Ela não sabia mais por quanto tempo
ela aguentaria viver assim.
Num dia qualquer, em meio a tanta angústia ela ouviu um garoto discutindo com um
homem e isso chamou a sua atenção. O garoto dizia para o homem exatamente o que ela
pensava sobre o mundo e o homem respondia exatamente o que os outros respondiam para ela.
O homem foi embora e ela resolveu pedir ajuda ao garoto.
Ela perguntou a ele como ele conseguia viver naquele mundo vendo que estava tudo
errado e se ele sabia alguma forma de mudar aquilo. Ele disse pra ela que também não sabia
muito o que fazer.
Ela ficou decepcionada porque esperava uma solução para o seu problema. Sem saber o
que fazer, permaneceu ali... e o garoto também. Eles conversaram sobre muitas coisas, algumas
bobas, algumas sérias. Em meio ao caos, ele a fez rir e a fez sentir viva, como ela achou que
nunca mais se sentiria.
Foi então que ela entendeu que ela não estava procurando a pessoa perfeita, ela
entendeu que ela estava procurando alguém que tivesse a capacidade de ver o mundo como ela
via. Que tivesse a capacidade de entendê-la , mas que a lembrasse de que em meio a tantos
motivos para se desesperar, viver ainda pode ser bom e vale a pena. Ela entendeu que buscava
alguém que sentisse a sua dor e que tivesse as mesmas perguntas que as suas. Um não tinha a
resposta para outro, mas eles se sentiam felizes por estarem procurando as respostas juntos e não
mais sozinhos.
E foi assim que ela descobriu “quais são as cores e as coisas que a prendiam”.

Introdução

Olá! Seja bem vindo a ver o mundo, o universo, a vida e tudo mais pelos olhos de Eliz...

Quem sabe você não passa a ver as coisas de uma forma diferente? Ou quem sabe não descobrimos que eu e você enxergamos tudo exatamente da mesma forma...na mesma proporção...com as mesmas cores...e então não nos sentiremos mais sozinhos.

"Eu sei que você sabe quase sem querer, que eu vejo o mesmo que você"
(Legião Urbana) 

Neste espaço, serei absolutamente eu mesma, falarei sobre meus sentimentos e pensamentos. Minhas preferências, opiniões e gostos. Quero falar sobre minhas músicas, meus filmes, meus livros, minhas indecisões, inseguranças...

Aqui eu serei livre, porque aqui eu não sou ninguém e sou todo mundo. Aqui eu não preciso fingir, não preciso medir palavras, não preciso me delimitar.

Espero que você me diga quando gostar de algo que eu disse e quando não gostar também : )