sexta-feira, 23 de maio de 2014

Sobre se apaixonar

“Quais são as cores e as coisas pra te prender?”
(Herbert Viana, por quase um segundo)
Essa é a história de uma garota que vivia se apaixonando, até o dia em que achou que
tinha encontrado seu amor verdadeiro... mas se decepcionou. Depois dessa desilusão ela
desaprendeu a amar e nada mais prendia a sua atenção. Ela observava as pessoas e suas
qualidades, queria se sentir apaixonada por elas mas não conseguia.
Ela conheceu um homem bonito, mas não se apaixonou. 
Ela conheceu um homem rico, mas não se apaixonou.
Ela conheceu um homem engraçado, mas não se apaixonou.
Ela conheceu um homem inteligente, mas não se apaixonou.
Ela conheceu um homem atraente, mas não se apaixonou.
Ela conheceu um homem bom, mas não se apaixonou.
Ela conheceu um homem romântico, mas não se apaixonou.
Ela conheceu um homem famoso, mas não se apaixonou.
Ela conheceu um homem poderoso, mas não se apaixonou.
Ela estava confusa. Começou a pensar que talvez ela não conseguiria mesmo mais se
apaixonar por nenhum homem. Então ela começou a observar as mulheres... mas também não se
apaixonou por ninguém.
Começaram a dizer que ela era muito exigente e que o que ela queria era alguém que
fosse bonito, rico, engraçado, inteligente, atraente, bom, romântico, famoso, poderoso...
Disseram a ela que ela estava esperando o príncipe encantado... que ela nunca iria encontrar
alguém assim, que ninguém é perfeito, muito menos ela e que por isso, mesmo que existisse
uma pessoa tão perfeita assim ele não iria querer nada com ela.
Então ela achou que deveria ser isso, que ela não conseguia se apaixonar por ninguém
porque estava procurando a pessoa perfeita. Ela não queria ser assim, ela queria se apaixonar!
Ela tentou, mas não conseguiu. Então sua vida perdeu a graça, perdeu a cor.
Ela estava muito triste, muito cansada, muito sozinha. Ela pensou em desistir da vida,
porque ela não via nenhum sentido para continuar vivendo nesse mundo. Ela achava que tudo
estava errado, mas ela não sabia o que fazer para mudar. Ela falava sobre isso com seus amigos
e sua família, mas ninguém compreendia. Diziam pra ela que ela estava revoltada, que ela
deveria parar de pensar. Diziam pra ela que a vida é assim mesmo e que ela deveria se
conformar. Disseram até que ela estava louca e ela achou mesmo que estava.
Ela não sabia mais o que fazer! Estava atormentada e decidiu que não valia mais a pena
tentar mostrar para as pessoas como tudo estava errado e que não tinha nada mesmo que ela
pudesse fazer para mudar a realidade. Então ela se calou. Mas seus pensamentos não se calaram.
Ela tentou esquecer tudo o que ela tinha visto e viver uma vida normal, como todo mundo. Mas
ela não conseguiu. Ela estava sofrendo, sozinha e calada. Ela não sabia mais por quanto tempo
ela aguentaria viver assim.
Num dia qualquer, em meio a tanta angústia ela ouviu um garoto discutindo com um
homem e isso chamou a sua atenção. O garoto dizia para o homem exatamente o que ela
pensava sobre o mundo e o homem respondia exatamente o que os outros respondiam para ela.
O homem foi embora e ela resolveu pedir ajuda ao garoto.
Ela perguntou a ele como ele conseguia viver naquele mundo vendo que estava tudo
errado e se ele sabia alguma forma de mudar aquilo. Ele disse pra ela que também não sabia
muito o que fazer.
Ela ficou decepcionada porque esperava uma solução para o seu problema. Sem saber o
que fazer, permaneceu ali... e o garoto também. Eles conversaram sobre muitas coisas, algumas
bobas, algumas sérias. Em meio ao caos, ele a fez rir e a fez sentir viva, como ela achou que
nunca mais se sentiria.
Foi então que ela entendeu que ela não estava procurando a pessoa perfeita, ela
entendeu que ela estava procurando alguém que tivesse a capacidade de ver o mundo como ela
via. Que tivesse a capacidade de entendê-la , mas que a lembrasse de que em meio a tantos
motivos para se desesperar, viver ainda pode ser bom e vale a pena. Ela entendeu que buscava
alguém que sentisse a sua dor e que tivesse as mesmas perguntas que as suas. Um não tinha a
resposta para outro, mas eles se sentiam felizes por estarem procurando as respostas juntos e não
mais sozinhos.
E foi assim que ela descobriu “quais são as cores e as coisas que a prendiam”.

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